Curtas e Máximas

MDB tira o pé…

 

Nos bastidores da política em Minas circula a notícia de que o MDB está hesitando em registrar sua chapa junto com a candidatura de Márcio Lacerda. Motivo: o imbróglio jurídico da candidatura do ex-prefeito pode arrastar a chapa de candidatos do MDB numa eventual impugnação. Faz sentido…

PSB nacional vai à Justiça e acusa Marcio Lacerda de litigância temerária

Ação protocolada pela executiva nacional do PSB no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais, rebate com firmeza o ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda. A peça acusa o prefeito de alterar os fatos ocorridos na ação que ele ajuizou pedindo anulação das deliberações do Congresso Nacional do PSB, o que implicaria em litigância temerária, ou seja, de estar alterando os fatos ocorridos a fim de obter vantagens.

Na ação, o PSB nacional classificou como “nova aventura judicial” o pedido feito por Marcio Lacerda, de anulação das deliberações do congresso, acusando “audácia” do ex-prefeito e “patente litigância temerária, em sua completa ausência de limites, demonstrando que a sua sanha por holofotes não tem tamanho”.

A distorção empreendida por Marcio Lacerda estaria na interpretação dada por ele à gravação do Congresso Nacional do PSB, realizado no dia (5), em Brasília. Ao pedir pela nulidade das deliberações aprovadas, entre elas, da anulação da convenção estadual realizada no sábado e a retirada da sua candidatura ao governo de Minas, o ex-prefeito usa a gravação para sustentar que a ata do Congresso “revela realidade dissociada daquela que deveria consignar”.

Segundo Lacerda, não teria sido deliberado no Congresso questão de ordem levantada quanto à ausência de previsão de julgamento de recurso apresentado pela comissão provisória estadual do PSB-MG, destituída pela executiva nacional da legenda.

Na noite do dia 3 de agosto, o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Napoleão Nunes Maia Filho, negou pedido liminar do mandado de segurança apresentado ajuizado por Marcio Lacerda, pedindo a anulação da mudança do diretório do PSB Minas. Para o ministro não houve ilegalidade nas mudanças feitas pela executiva nacional do partido. “Diante da autonomia partidária, há que ser presentes que, assim como os partidos políticos possuem liberdade para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento, eles devem também observar as normas de legais e estatutárias em sua atuação”.

Lacerda também alegou que, durante o Congresso, ele teria se manifestado em nome próprio, não tendo sido dada palavra à Comissão Provisória suspensa. Embora utilizado pelo ex-prefeito para sua defesa, o vídeo contradiz suas alegações.

Foto registra ex-prefeito Marcio Lacerda votando as deliberações do Congresso Nacional do PSB

Foto registra ex-prefeito Marcio Lacerda votando as deliberações do Congresso Nacional do PSB

Por volta dos setes minutos, agravação registra o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, colocando para deliberação dos delegados do partido o recurso apresentado por Marcio Lacerda. “Pois bem”, destaca Siqueira, “então nós vamos fazer os julgamentos desse recurso. Está na mesa esse recurso. Eu gostaria de esclarecer ao plenário o recurso que nós recebemos aqui e relatar esse fato, depois eu daria a palavra e peço ao companheiro Marcio Lacerda que ele, o advogado dele ou uma pessoa que ele vier designar, porque a questão está diretamente relacionada a uma pretensão legitima dele, Marcio Lacerda. Por tanto, há que haver o contraditório”.

Em outro trecho, por volta dos 43 minutos do vídeo, Marcio Lacerda manifesta compreensão e respeito à decisão de Carlos Siqueira. Ele classifica ainda como “vacilações” o pedido feito a Siqueira de retirada da sua candidatura ao governo de Minas, oscilando numa candidatura ao Senado ou a Vice-Presidência da República, numa composição com o PDT. “Evidente, como todo ser humano, que respeita seus limites, nós temos vacilações em determinados momentos”.

No mesmo vídeo, Lacerda reconhece a gravidade do momento do PSB em Minas e aceita até discutir a retirada da sua candidatura para ajudar na eleição da chapa de deputados. “Nós estamos numa situação muito grave. Eu acho que a situação da chapa de deputados é muito importante e nós temos que achar um caminho, presidente Siqueira, que preserve isso. Se a solução para se encontrar um caminho jurídico seja, eventualmente, até pensar em não me ter como candidato para resolver o problema da chapa eu aceito discutir isso”.

A “vacilação” de Lacerda, avaliam membros do partido, começou quando o senador Antônio Anastasia (PSDB) cedeu à pressão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e do senador Aécio Neves (padrinho político de Anastasia), e aceitou ser candidato ao governo de Minas. Sua candidatura garantiria palanque competitivo à candidatura tucana à Presidência da República e estancaria a debandada de deputados do PSDB para outras legendas.

O ex-prefeito da capital tentou, junto com o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Diniz Pinheiro (SD), reunir o campo político que dava sustentação ao 12 anos de governo do PSDB em Minas. A entrada de Anastasia na disputa implodiu seus esforços.

Em outro ponto também controverso à defesa apresentada por Marcio Lacerda, por volta dos 52 minutos, no vídeo, o ex-presidente da Comissão executiva do PSB-MG, João Marcos Grossi, apresenta para deliberação dos delegados do congresso questão de ordem em que pede a aprovação dos correligionários um voto de confiança total e absoluta a Carlos Siqueira. “Com todo respeito, a plenária é realmente soberana, então queríamos fazer um encaminhamento de questão de ordem que submeta que… essa plenária com os delegados, em prova de confiança total e absoluta a sua condução, que a plenária delegue ao senhor a decisão. A gente confia que chegaremos a um bom termo nessa reunião após o almoço.

Negligência e descumprimento de diretrizes deflagraram destituição

A petição ajuizada pela executiva nacional do PSB também destaca que a suspensão da antiga Comissão Provisória aconteceu em atendimento ao pedido de pré-candidatos a deputados estaduais e federais, que manifestaram, reiteradas vezes, preocupação com a condução da montagem da chapa de deputados e descumprimento das diretrizes do partido.

Entre as diretrizes, por exemplo, as que foram aprovadas durante o XIV Congresso Nacional do PSB, realizado em março. Nesse encontro, que contou com a presença do ex-prefeito Marcio Lacerda, foi aprovado que todas as coligações estaduais para governador, vice-governador e também para o Senado Federal seriam submetidas à aprovação da Comissão Executiva Nacional, conferindo-lhe poderes para aprovar, alterar ou anular qualquer coligação em desacordo com as orientações políticas eleitorais da Direção Nacional e fora do arco de alianças com partidos de esquerda e centro esquerda. O documento do congresso destacou PDT, PT, PCdoB, PSOL, Rede, PPS e o PV como parceiros preferenciais.

À época, a diretriz foi recebida com medida “anti-Alckmin e anti-MDB”, frustrando as articulações do então vice-governador de São Paulo, Marcio França (PSB), de levar o apoio do PSB à candidatura do tucano Geraldo Alckmin à Presidência da República.

O PSB nacional destacou que a antiga comissão provisória deixou que 660 comissões provisórias do partido em Minas ficassem inativas, e que em outras 125 cidades se quer haviam diretórios ou comissões do PSB.

“Ou seja”, argumenta a direção, “o PSB estava sendo conduzido em prol de um projeto individual – e não nacional – o que não coaduna com a própria natureza do partido político”.  “Em sua saga pelo poder”, acusam o ex-prefeito em outro trecho, “pelo seu projeto político individual e único não está a medir esforços em tumultuar o processo eleitoral em Minas Gerais”.

Marcio, “inabilidoso”, Lacerda

Antes, somente o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) não se convencia da pré-candidatura ao governo de Minas do ex-prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB). Pelo menos, dos críticos, Delgado era quem se posicionava de forma aberta. A movimentação dessa semana, de uma possível aliança com o MDB de Minas alterou as coisas: agora, criticam Lacerda os três deputados estaduais do PSB, dirigentes estaduais da legenda e toda a chapa de pré-candidatos a deputado estadual e federal do partido.

Não é para menos.

A coligação com o MDB seria o fim da bancada do PSB, tanto na Assembleia Legislativa quanto no Câmara dos Deputados.

Com uma chapa de 5 deputados federais  e 13 deputados estaduais, ninguém que queira disputar eleições com intenção real de vitória concorre em uma chapa assim.

Não tendo chapa, só deputados, a coligação com o MDB, significaria o sacrifício das lideranças do PSB para garantir a eleição dos emedebistas.

De tropeço em tropeço, avaliam muitos, Lacerda caminha para repetir, em 2018, o desastre da sua sucessão em 2016.

 

O que não foi registrado da última reunião do PSB Minas?

Embora tenha se destacado nas notícias sobre a última reunião do PSB Minas a tensão entre os grupos do deputado federal Júlio Delgado, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, o olhar mais atento para a condução do debate feito pelo presidente estadual da legenda, João Marcos Grossi, registrou um banho de água fria da coordenação da campanha e da executiva da legenda sobre a expectativa dos pré-candidatos a deputado estadual e federal.

O presidente estadual da legenda fez um conjunto de contas sobre a repartição do fundo eleitoral, apresentando aos pré-candidatos a percepção de que não haverá dinheiro para se fazer campanha.

Lacerda, em sua intervenção, também destacou que não assumirá compromissos na ajuda com o financiamento das chapas de deputados federais e estaduais.

Com dificuldade de aglutinar outras legendas a sua candidatura, que sentido faz desestabilizar a chapa de deputados que levará o nome de Lacerda pelo estado?

É sincericídio ou inabilidade política?

Provocado várias vezes pelos participantes do evento para que, objetivamente, se manifestasse sobre sua candidatura ao governo do estado, rechaçando, assim, a possibilidade de compor como vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PDT), Lacerda desconversou com a falta de traquejo político que lhe é peculiar, adiou a definição para o dia 30, quando acontecerá reunião da executiva nacional, e manteve o clima de indefinição e incerteza sobre os rumos do PSB em Minas.

As tensões do último encontro, disseram boa parte dos presentes, remontam o caos e a inabilidade de Lacerda e seu grupo na sucessão municipal de 2016.

Odair Cunha comete deslize e supostamente chama professores de “idiotas”

Era para ser um vídeo em que o secretário de Estado Governo, Odair Cunha (PT) daria a posição do governo sobre a paralisação dos professores da rede estadual de Educação. Um “deslize”, entretanto, deixou a categoria enfurecida. Após a conclusão da sua fala, Odair Cunha dispara: “povo idiota”.

O vídeo passou a circular em grupos de whatsapp da categoria, a fim de contribuir para a mobilização dos servidores pela paralisação das atividades, acusando Odair de ter disparado a ofensa contra os professores e trabalhadores da rede estadual de Educação.

A fala até pode estar fora do seu contexto original, mas criou grande embaraço para o governo.

Presidente do PSB vai reforçar articulação para filiação e candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República

Carlos Ciqueira, presidente nacional do PSB, reuniu-se na manhã desta segunda-feira (19) com a executiva estadual da legenda em Minas. Ele veio a Belo Horizonte avaliar o quadro eleitoral a partir do anúncio da candidatura do senador Antônio Anastasia (PSDB).

Reunido com os deputados estaduais Antônio Lerin e Roberto Andrade, os deputados federais George Hilton, Tenente Lúcio e Júlio Delgado, entre outras lideranças, conjecturou-se que com o quadro de profundo desgaste de tucanos e petistas, a entrada de Anastasia na disputa favorecerá o crescimento e avanço de uma terceira via nas eleições em Minas, hoje, incorporada pela candidatura de Márcio Lacerda.

Ainda no mesmo encontro, Siqueira comunicou aos presentes que nas próximas semanas concentrará esforços na filiação e candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo PSB.

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